A fibromialgia deixou de ser entendida como uma doença puramente reumatológica ou “psicogênica”. A neuroimagem e a biópsia tecidual consolidaram-na como uma síndrome neurometabólica: uma sobreposição de sensibilização central, disautonomia sistêmica, neuroinflamação de baixo grau e colapso energético mitocondrial periférico.
No sistema nervoso central
- Sensibilização central: hiperresponsividade de estruturas do processamento afetivo e sensorial da dor — córtex cingulado anterior e ínsula.
- Falência das vias inibitórias descendentes: concentrações cronicamente deprimidas de serotonina e norepinefrina, enfraquecendo a analgesia endógena.
Disautonomia e o eixo HPA
Há hiperatividade simpática em repouso com resposta parassimpática deprimida. Isso gera a incompetência cronotrópica — o coração não eleva a frequência de forma linear ao esforço —, que inviabiliza as fórmulas convencionais de FC máxima (tema central do Módulo II). O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) apresenta respostas embotadas de cortisol, retroalimentando fadiga e intolerância ao estresse.
Neuroinflamação glial
A ativação sustentada de microglia e astrócitos libera citocinas pró-inflamatórias — IL-6 e TNF-α — que sensibilizam nociceptores e agravam fadiga e humor deprimido.
Compreender esses quatro eixos é o pré-requisito para entender por que a fibromialgia exige condutas de precisão — e por que intervenções genéricas falham.